Não sei para que vim, por qual motivo estou aqui, nem se há algum motivo. Não sei por que passei pela vida das pessoas que passei ou se consegui ao menos faze-las por alguns segundos feliz. Eu não sei. Não sei se lembram de mim com frequencia ou se sou indiferente. Talvez não queiram ouvir falar meu nome. Mas eu simplesmente não sei, nem sei se quero saber. Quantas vidas eu mudei (se mudei alguma)? Ah, eu não sei. Quantos sorrisos sinceros consegui faze-las abrir? Quantas lágrimas derramaram-se por mim? Não sei quantas ainda lembram de mim, quais delas sorriem ao lembrar dos nossos momentos. Não sei se contribui para suas vidas. Não sei se nossas conversas permanecem em suas memórias. Não sei se meus abraços as confortaram em algum momento, se demonstrei o que senti ou se as fiz sentirem-se incríveis. Não sei se mostrei sinceridade no que disse, não sei se algum dia sem querer as magoei. Não lembro se disse tudo que quis. Não sei, não sei. Não sei o quão importante fui para a vida dessas pessoas, nem mesmo se o fui. Não sei quais levaram consigo meu melhor e quais levaram meu pior. Não sei se me achavam sonsa ou inocente, se sentiram falta quando por alguma razão nossas vidas se separaram. Não sei se em sua alma ainda há uma parte de mim. Não sei se leram os livros que recomendei, se seguiram os conselhos que ofereci ou se simplesmente ignoraram cada palavra que pronunciei. Não sei se veem os filme que vimos juntos para recordar o momento, ou se sabem que os viu mas não lembram com quem. Não sei se guardam nossas fotografias, se continuam a brincar das brincadeiras que inventamos. Não sei se realmente compreendiam minhas limitações. Não sei se ainda vão aos lugares que íamos... ah, tão pouco sei. Não sei se ao falar algo que eu julgava engraçado, riram para me deixar feliz ou se realmente riram. Não sei se lembram das vezes que liguei para saber como estavam ou se preferem lembrar das vezes que esqueci de ligar. Não sei se me achavam limitada para entender certos assuntos, se enquanto eu adorava nossas conversas elas queriam fugir e nunca mais voltar a me ver. Não sei se preferem lembrar da minha parte estúpida ou se lembram das minhas palavras de carinho. Não sei se admiraram quem eu era ou se admiram quem sou. Se me achavam sincera ou forçada quando tirava meus domingos para visitar orfanatos. Se me achavam sonhadora demais quando dizia querer mudar o Mundo ou se me achavam hipócrita. Não sei se me achavam encantadora ou monótona. Não... eu não sei. Não sei se ainda nos encontraremos, como seria nosso reencontro, como reagiriamos. Não sei se alguma delas tem essa pretensão. Não sei se algumas lembram da nossa história como uma das melhores partes de suas vidas ou se outras querem apenas esquecer (ou até mesmo já o fizeram). Alguém ainda que longe me sente por perto? Não sei.
Mariana Araujo (10/04/2010)
Mariana Araujo (10/04/2010)
Bom dia, Mariana.
ResponderExcluirCertamente que sim. Com isso tudo que você contou no seu texto, só amnésia fará algum deles se esquecer de você. O ruim, é que o tempo faz as pessoas se dispersarem.
É um telefone que mudou... é a pessoa que foi morar num outro país... é o imprevisível...
O que é previsível, é a saudade que fica em nós!
Um grande abraço. Bom domingo.