As poucas decepções sofridas foram como um banho gelado no dia mais frio do ano na Antártida: não só me pegaram de surpresa, mas me congelaram. Não de um dia para o outro, porém o tempo se encarregou. Conforme os dias iam passando sentia como se algo em mim estivesse mudando. Meu humor, talvez. Sim, meu humor mudou, mas foi apenas a consequencia de viver uma vida fria e preta e branca. Deixei de sonhar, deixei de querer viver para as pessoas, para o mundo. Deixei de ser quem sempre fui; deixei de fazer amizades, de ver beleza no que é belo. Poucas coisas passaram a me encantar e permaneci o menos encantador de todos os seres durante muito tempo. Não vou dizer que não fui feliz, e jamais diria, pois eu fui. Apenas não queria ser ainda mais; aquela felicidade me bastava. Mas não estava plena, me faltava algo que não fiz questão de procurar pois estava exaurida. Quando já era um ser completamente contentado algo mudou. Aos poucos as cores foram voltando e dando vida a tudo que estava a minha volta. Bastaram alguns dias para começar a enxergar o mundo como nunca havia enxergado antes; apesar de conhecer as cores e suas belezas, essas voltaram a minha vida com uma intensidade que desconhecia. O canto dos pássaros era suave e agudo, os dois na medida exata. As pessoas? ah, elas estavam mais belas, seus sorrisos estavam nitidamente maiores e seus olhos brilhavam como se todas estivessem pela primeira vez amando. O céu jamais havia ficado tão belo, tão azul. Sua beleza encantava os olhos de cada pessoa que o olhasse e estar a céu aberto era o admirar. As belas canções faziam sentido. E os romances? ah, eles não eram mais uma bobagem. Ainda assim tive medo, medo de me arriscar. Arriscar-se é perigoso. Me ouvi negando, dizendo, repetindo inúmeras vezes: não. Estava em um lindo penhasco de paraquedas; desejava, precisava pular. Era meu sonho e estava recuando. Recuei algumas vezes, fechei os olhos e quando olhei novamente tive certeza: era tudo que queria. Finalmente pulei e foi a melhor decisão que tomei. Por pouco não desisti, por pouco o passado não me fez seu refém. Mas eu disse sim: disse sim à vida, a mim mesma. Deixei de lado o medo, a insegurança e hoje sei que é melhor se atirar e amar. É melhor viver em um mundo colorido e suspirar ao sonhar acordada do que não ter com o que sonhar. Arrisque-se, surpreenda-se; se permita viver e ame. Ame com todo seu coração, apenas ame.
Mariana Araujo (14/04/2010)
Mariana Araujo (14/04/2010)
Bom dia,amiga Marina.
ResponderExcluirEu sempre digo que acho o ser humano parecido com um diamante bruto. Dessa forma, somos lapidados através da dor.
Adorei seu texto.
Um grande abraço. Bom feriado.