quarta-feira, 12 de maio de 2010

" Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar?

Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha",
"Esse apontador não é seu, minha filhinha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.

Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.

Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? IMORTAL! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dá para mudar o final! "

(Elisa Lucinda)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Adoro estar aqui. Refugiada em um lugar que mais ninguém é capaz de me achar. Trancada em meus pensamentos; onde gargalhadas são inesqueciveis e lágrimas compreensíveis. Fisicamente perto, mas tão distante que dificilmente me alcançarão. Quando estou nesse universo que pertence somente a mim dificilmente quero sair; não é com tanta facilidade que deixo o lugar que imagens falam mais que mil palavras, que livros são passagens para longas e deliciosas viagens, que as músicas são feitas para mim e que as cores são tão vivas que abrem qualquer sorriso. Meus livros, minhas músicas, fotografias... várias delas. Aqui é o lugar onde minhas ideias são trabalhadas, onde guardo cada momento que vivi; e posso revivê-los quando quiser. Aqui sou o centro das atenções e não me sinto o mais estranho ser. No meu universo minha dor é a maior do mundo, minha alegria é apenas o que importa. Apenas aqui sou egocêntrica. Pois foi por isso que criei esse lugar; para dar atenção ao meu eu. O criei para mim, apenas. Para depositar aqui meus sonhos, meus momentos, minhas paixões. Entro e saio quando quero; independente do lugar que esteja. Pois meu universo é idealizado e mora em mim. Não há endereço, portas ou janelas. Onde estou ele está. Quando não estou aqui, quando não preciso ser compreendida ou quando em meio a tanto egoismo vejo alguma imagem real e percebo quão insignificante é minha dor ou alegria, finalmente volto para esse mundo. A imagem provavelmente jamais sairá da minha mente; guardo cada uma. Gosto de fazer parte do mundo; é vital entender que vim para ser exatamente quem sou; dar as gargalhadas que dei, derramar as lágrimas que derramei. Quero ser mais. Preciso me sentir viva. Me orgulho do universo que construi, gosto de sonhar nele e com ele. Meu universo completa o mundo que habito e vice-versa. Ambos me completam.

Mariana Araujo (11/05/2010)