domingo, 25 de abril de 2010

Dessa vez escrevo à caneta, pois não tenho pretensão de mudar o que aqui estará escrito.
Eu não quero ser lembrada como a dependente de fulano; eu definitivamente não quero ser lembrada como o ser mais frágil de todos ou como a eterna sonhadora. Digam que sonho demais, que fantasio e que minha vida é utopia, mas acreditem que assim sou feliz. Digam que por vezes não entenderam minhas lágrimas (sejam elas de tristeza ou de alegria), mas reconheçam que eu sei os motivos pelos quais elas caem. Digam que não deveria mas que sou o ser mais passional que conhecem e os responderei que se não o fosse não poderia ao menos me reconhecer. Não, não lembrem de mim como a chata, pois sim, eu quero deixar o mundo como nos meus sonhos e as vezes esqueço que há pessoas que não estariam dispostas a mudar e que simplesmente acham graça. Achem graça. Mas peço: não me julguem se não me entendem. O que alguns chamam de drama eu prefiro chamar de intensidade. Se me der vontade de chorar aproveitarei e chorarei por cada sentimento que encheu meu coração ou que me sufocou; vou lavar a alma e não importa quanto tempo poderá durar, pois sei que irei me refazer. E não vou me espantar se depois que não houver mais sentimentos transbordando eu simplesmente dormir tranquilamente ou uma louca alegria tomar conta de mim. Pois sou assim e garanto que nada disso me faz mal . Então eu digo: sou dependente até precisar não ser - por mais que doa essa fase eu a enfrento. Apesar de sonhar mais que a Bela Adormecida sei quando preciso de doses de realidade e garanto que as tenho. Apesar de ser mais frágil que uma boneca de porcelana a maior parte do tempo, quando preciso sou tão forte quanto uma rocha. Depois volto a sonhar com meu mundo colorido; com toda paciência de um sonhador volto a acreditar na paz, em politicos menos corruptos e em um mundo melhor. Acredito que se todos tivessem esse sonho o universo conspiraria a nosso favor e nosso sonho não seria apenas sonho. Acreditem.

Mariana Araujo (17/04/2010)

terça-feira, 20 de abril de 2010

As poucas decepções sofridas foram como um banho gelado no dia mais frio do ano na Antártida: não só me pegaram de surpresa, mas me congelaram. Não de um dia para o outro, porém o tempo se encarregou. Conforme os dias iam passando sentia como se algo em mim estivesse mudando. Meu humor, talvez. Sim, meu humor mudou, mas foi apenas a consequencia de viver uma vida fria e preta e branca. Deixei de sonhar, deixei de querer viver para as pessoas, para o mundo. Deixei de ser quem sempre fui; deixei de fazer amizades, de ver beleza no que é belo. Poucas coisas passaram a me encantar e permaneci o menos encantador de todos os seres durante muito tempo. Não vou dizer que não fui feliz, e jamais diria, pois eu fui. Apenas não queria ser ainda mais; aquela felicidade me bastava. Mas não estava plena, me faltava algo que não fiz questão de procurar pois estava exaurida. Quando já era um ser completamente contentado algo mudou. Aos poucos as cores foram voltando e dando vida a tudo que estava a minha volta. Bastaram alguns dias para começar a enxergar o mundo como nunca havia enxergado antes; apesar de conhecer as cores e suas belezas, essas voltaram a minha vida com uma intensidade que desconhecia. O canto dos pássaros era suave e agudo, os dois na medida exata. As pessoas? ah, elas estavam mais belas, seus sorrisos estavam nitidamente maiores e seus olhos brilhavam como se todas estivessem pela primeira vez amando. O céu jamais havia ficado tão belo, tão azul. Sua beleza encantava os olhos de cada pessoa que o olhasse e estar a céu aberto era o admirar. As belas canções faziam sentido. E os romances? ah, eles não eram mais uma bobagem. Ainda assim tive medo, medo de me arriscar. Arriscar-se é perigoso. Me ouvi negando, dizendo, repetindo inúmeras vezes: não. Estava em um lindo penhasco de paraquedas; desejava, precisava pular. Era meu sonho e estava recuando. Recuei algumas vezes, fechei os olhos e quando olhei novamente tive certeza: era tudo que queria. Finalmente pulei e foi a melhor decisão que tomei. Por pouco não desisti, por pouco o passado não me fez seu refém. Mas eu disse sim: disse sim à vida, a mim mesma. Deixei de lado o medo, a insegurança e hoje sei que é melhor se atirar e amar. É melhor viver em um mundo colorido e suspirar ao sonhar acordada do que não ter com o que sonhar. Arrisque-se, surpreenda-se; se permita viver e ame. Ame com todo seu coração, apenas ame.

Mariana Araujo (14/04/2010)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Dedico a você as canções mais belas, os textos mais românticos, os lugares mais interessantes. A você dedico o meu melhor, pois após te conhecer pude me conhecer melhor. A ti ofereço meu futuro e lhe garanto que ao meu lado serás feliz. Ofereço meus sorrisos mais sinceros, os abraços mais apertados, meus eternos beijos apaixonados. Então lhe peço: permaneça onde está. Fique comigo. Pois eu não posso, simplesmente não posso longe de ti viver. Você conquistou cada parte de mim e quando percebi já pertencia inteiramente a você; já era dependente da sua presença, do seu abraço, do seu amor. Fique, permaneça aqui. Farei de nosso amor o mais belo; prometo que o tempo não mudará nada. Continuaremos dando boas gargalhadas em nossas longas conversas, continuaremos passeando tardes e mais tardes de mãos dadas, com sorrisos imensos. Já posso ver o Mundo nos olhando enquanto nossos olhares se cruzam iluminando cidades inteiras. Eu lhe peço: apenas continue me fazendo a mais feliz. Não, nunca desejei nada com tanta intensidade. Talvez a palavra precisar seja ainda mais correta. Pois então: nunca precisei de nada com tanta intensidade. Por isso continue me fazendo sonhar. É sublime poder acordada sonhar e viver momentos incríveis ao seu lado. Não se esqueça das inúmeras vezes que o tempo parou apenas para nós, dos abraços que poderiam ter durado uma eternidade, das nossas mãos entrelaçadas e de toda magia que há quando estamos juntos. Guarde com você cada palavra que pronunciei e jamais ouse esquecer dos nossos bons momentos. Acredite: o tempo só nos tornará ainda mais amigos, mais apaixonados. Ele apenas nos confirmará que nascemos um para o outro. Nada poderá esfriar esse amor. Por isso não me deixe. Sua ausência me custaria longas noites de insônia, lágrimas sem fim; os dias seriam longos e tediosos, sem cores e sem paixão. E para mim é tão ruim quanto não mais viver. Por isso: Dê-me vida, permaneça aqui.

Mariana Araujo (12/04/2010)

sábado, 10 de abril de 2010

Não sei para que vim, por qual motivo estou aqui, nem se há algum motivo. Não sei por que passei pela vida das pessoas que passei ou se consegui ao menos faze-las por alguns segundos feliz. Eu não sei. Não sei se lembram de mim com frequencia ou se sou indiferente. Talvez não queiram ouvir falar meu nome. Mas eu simplesmente não sei, nem sei se quero saber. Quantas vidas eu mudei (se mudei alguma)? Ah, eu não sei. Quantos sorrisos sinceros consegui faze-las abrir? Quantas lágrimas derramaram-se por mim? Não sei quantas ainda lembram de mim, quais delas sorriem ao lembrar dos nossos momentos. Não sei se contribui para suas vidas. Não sei se nossas conversas permanecem em suas memórias. Não sei se meus abraços as confortaram em algum momento, se demonstrei o que senti ou se as fiz sentirem-se incríveis. Não sei se mostrei sinceridade no que disse, não sei se algum dia sem querer as magoei. Não lembro se disse tudo que quis. Não sei, não sei. Não sei o quão importante fui para a vida dessas pessoas, nem mesmo se o fui. Não sei quais levaram consigo meu melhor e quais levaram meu pior. Não sei se me achavam sonsa ou inocente, se sentiram falta quando por alguma razão nossas vidas se separaram. Não sei se em sua alma ainda há uma parte de mim. Não sei se leram os livros que recomendei, se seguiram os conselhos que ofereci ou se simplesmente ignoraram cada palavra que pronunciei. Não sei se veem os filme que vimos juntos para recordar o momento, ou se sabem que os viu mas não lembram com quem. Não sei se guardam nossas fotografias, se continuam a brincar das brincadeiras que inventamos. Não sei se realmente compreendiam minhas limitações. Não sei se ainda vão aos lugares que íamos... ah, tão pouco sei. Não sei se ao falar algo que eu julgava engraçado, riram para me deixar feliz ou se realmente riram. Não sei se lembram das vezes que liguei para saber como estavam ou se preferem lembrar das vezes que esqueci de ligar. Não sei se me achavam limitada para entender certos assuntos, se enquanto eu adorava nossas conversas elas queriam fugir e nunca mais voltar a me ver. Não sei se preferem lembrar da minha parte estúpida ou se lembram das minhas palavras de carinho. Não sei se admiraram quem eu era ou se admiram quem sou. Se me achavam sincera ou forçada quando tirava meus domingos para visitar orfanatos. Se me achavam sonhadora demais quando dizia querer mudar o Mundo ou se me achavam hipócrita. Não sei se me achavam encantadora ou monótona. Não... eu não sei. Não sei se ainda nos encontraremos, como seria nosso reencontro, como reagiriamos. Não sei se alguma delas tem essa pretensão. Não sei se algumas lembram da nossa história como uma das melhores partes de suas vidas ou se outras querem apenas esquecer (ou até mesmo já o fizeram). Alguém ainda que longe me sente por perto? Não sei.

Mariana Araujo (10/04/2010)
Ainda é dificil acreditar em tudo que aconteceu no Rio essa semana. Apesar de morar aqui eu não presenciei nenhum episódio (ainda bem). Mas fiz questão de ver os jornais e não me alienar ao que estava acontecendo. Ver a dor da perda, não só material mas a perda de pessoas queridas me deixa completamente triste. Não há como não me colocar no lugar de cada uma daquelas pessoas. Creio que cada uma batalhou para ter suas casas e jamais imaginaram que um dia essa tragédia pudesse acontecer. Algumas perderam apenas seus bens materiais, outras além dos bens materiais perderam pessoas que fizeram parte da sua vida, já outras perderam o mais importante: a vida. Quem iria imaginar que a semana seria tão trágica? Chega doer quando escuto comentários como "a população também é culpada". Se é a população a que mais perde, como culpá-la? Chega ser quase obvio que aquelas pessoas não queriam ter suas vidas destruidas. Também não há como culpar parte da população que simplesmente não saiu de suas casas apesar de saber dos perigos, me colocando no lugar dessas pessoas percebi que em algumas horas pensar logicamente é mais complicado do que se imagina; naquelas casas estavam toda sua história. Culpar as autoridades? Pode ser, mas antes precisariam analisar suas versões. Enfim, uma tragédia que poderia ter sido evitada, mas cada dia que passa parece ainda mais distante essa realidade (evitar tragédias ao invés de resolvé-las após acontecer). Espero que dessa vez a tragédia não seja ignorada após a mídia esquecer. Só assim que as partes desprezadas pelas novelas aparecem. Essa é a cidade maravilhosa, eleita a mais feliz de viver e a que vai sediar as Olimpíadas em 2016. Realidade, né gente?